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24.10.13

CONFIANÇA NO TRABALHO

10 maneiras de ganhar confiança no trabalho


 
 Há muitas razões para que o profissional não se sinta confiante no trabalho. Pode estar em um emprego que requer habilidades que não tem ou é menos experiente do que aqueles que estão a seu redor. Em outros casos, diz Jacquelyn Smith, especialista em carreira e liderança, em artigo para o site da Forbes, o profissional pode ser novo na empresa, se sentir desconfortável com a sua capacidade de alcançar o sucesso ou ameaçado por outros colegas de trabalho. Há ainda aqueles que temem perder o emprego ou simplesmente são exigentes demais consigo mesmos.
 
Se você se enquadra em algum desses casos, se sua autoestima está em baixa ou sua confiança foi ameaçada de alguma forma, confira os conselhos dos especialistas para mudar de atitude e elevar a moral dentro da empresa:
 
  • Mantenha o foco em você — Lynn Taylor, especialista em ambiente de trabalho, diz que a pessoa deve fazer o possível para manter o foco e se dedicar ao trabalho, independentemente da política, dos boatos ou manobras não produtivas, tão comuns no meio corporativo. “A confiança surge da combinação de um trabalho honrado com uma grande atitude”, acrescenta ela.
  • Identifique seus pontos fortes e capitalize-os — “Uma das melhores maneiras de construir a confiança é ter clareza sobre seus pontos fortes e encontrar formas de integrá-los ao que você faz a cada dia”, afirma William Arruda, especialista em personal branding. Quando você se guia pelos seus pontos fortes, você fica mais engajado e energizado. Você se torna autoconfiante.
  • Identifique também os pontos fracos e trabalhe para melhorá-los — Se houver falhas que estejam afetando sua confiança, faça um plano para reduzi-las ou eliminá-las, sugere Arruda. De acordo com o especialista, o profissional não deve ficar obcecado em relação a isso, mas deve estar consciente de que enfrentar suas fraquezas e fazer um esforço diligente para superá-las pode ajudar a aumentar sua confiança.
  • Acredite em si mesmo — Diante das tarefas, sejam elas difíceis ou não, tente dizer a si mesmo “Eu posso fazer isso”, e acredite. William Arruda sugere algumas coisas a serem ditas todas as noites antes de ir para cama: podem ser três coisas que você aprecia em si mesmo ou três coisas que deram certo naquele dia.
  • Acompanhe de perto os seus sucessos — Mantenha o controle de suas realizações diárias, aconselha Lynn Taylor. Faça uma lista de “coisas a fazer”. Dessa forma, assim que for cumprindo e riscando cada item, estará mais consciente de suas realizações. A especialista sugere ainda que se mantenha um arquivo digital para gravar seus sucessos, onde poderão ser armazenados os e-mails de congratulações, metas atingidas, elogios de chefes e colegas, notas próprias sobre os desafios superados, cartas de agradecimento, reconhecimento e louvor de dentro e de fora da empresa. “Consulte o arquivo regularmente para verificar seus talentos reais. E futuramente pode vir a calhar quando iniciar uma busca por um novo trabalho e tiver que provar alguns projetos de sucesso”.
  • Saiba que, às vezes, sua confiança pode ser ameaçada — “É um fato. Aceite que isso um dia vai acontecer”. A dica é, se você receber um comentário maldoso que abale sua confiança, espere de 24 a 48 horas para se recuperar antes de responder ou tomar decisões importantes, ou até precipitadas.
  • Procure o incentivo de outros — Pergunte às pessoas que você respeita e confia o que eles acham que são suas três maiores qualidades ou habilidades, e encontre maneiras de usar esses pontos fortes, aconselha Arruda. Já a doutora Katharine Brooks, diretora do Liberal Arts Career Services, da Universidade do Texas, e autora do livro “You Majored in What? Mapping Your Path From Chaos to Career” (Você se formou em quê? Mapeando seu caminho em meio ao caos do mercado, em tradução livre), diz: "Obtenha feedback de colegas, amigos ou de seu supervisor sobre como está seu desempenho. Peça-lhes para identificar seus pontos fortes e onde eles gostariam que você melhorasse. “Às vezes, outras pessoas veem mais talento em nós do que nós mesmos reconhecemos”.
  • Desafie-se — Realizar tarefas que não acha possível pode ser uma ótima maneira de aumentar a sua confiança. Encontre projetos e atribuições que dão a oportunidade de usar seus pontos fortes e trabalhe em projetos que tragam novos desafios, diz Deborah Brown-Volkman, coach de carreira e presidente da SurpassYourDreams.com. “Experimente algo novo, mesmo se você não tiver certeza ou medo de ser capaz”, acrescenta Brooks. “Vá com calma, passo a passo, se necessário, mas mergulhe no novo projeto ou atividade e veja o que vai dar. Tente abster-se de julgar o seu desempenho logo no início do processo, ou em comparar o seu desempenho com alguém que já exerce essa atividade por um período muito longo”.
  • Seja um exemplo de atitude positiva — Desenvolva uma atitude positiva, diz Brooks, lembrando que positivo nem sempre significa feliz. “Concentre-se em como você pode oferecer soluções ao invés de gastar um tempão discutindo o problema”. Linn Taylor, por sua vez, acrescenta que os trabalhadores são atraídos por aqueles com uma atitude positiva, especialmente quando surgem os desafios. “E pode começar com você. É contagioso, mesmo com o seu chefe. Esse tipo de atitude projeta confiança. Basta saber trabalhar essa parte de sua marca pessoal”.
  • Analise cuidadosamente como você reage às ações de seu chefe e colegas — Uma das maneiras mais eficazes de conquistar a confiança é elevar o seu radar emocional no local de trabalho, afirma Linn Taylor. “Interprete as ações de seu chefe e colegas de trabalho, especialmente quando afetam sua autoconfiança. Entenda que eles podem estar agindo de uma forma que todos nós somos capazes de agir, quando se está sob estresse ou frustração”.
 
Fonte: oglobo.com

14.7.11

 


 
Se integra a turma que se orgulha de dormir apenas cinco ou seis horas por noite, atenção: você vem reduzindo suas possibilidades de sucesso sem saber. Dormir não é um luxo, como diz James O’Brien, diretor médico do Boston SleepCare Center, situado em Waltham, Massachusetts, nos Estados Unidos. “É uma necessidade do corpo humano para que tenha um nível ótimo de funcionamento.”
Quando você dorme, seu cérebro cataloga as experiências do dia que terminou, afia sua memória e faz a regulação hormonal de sua energia, disposição e capacidade mental. Para completar todas essas funções, o cérebro precisa de sete a oito horas diárias de sono. Então, se dormir menos do que
isso, você comprometerá sua concentração, criatividade, produtividade e –claro– o humor.

Como o sono funciona
Para entender por que o número certo de horas de sono é tão importante para seu desempenho, vale a pena saber como o sono funciona.
O sono saudável se divide em ciclos de quatro estágios. Nos estágios 1 e 2, vamos ficando mais e mais desconectados do mundo à medida que avançamos, até entrarmos no sono profundo que ocorre no estágio 3. No sono profundo, tanto a atividade do cérebro como a do corpo caem ao ponto mais baixo do ciclo e o sangue é redirecionado do cérebro para os músculos.
O quarto e último estágio é marcado pelo rápido movimento ocular (REM, na sigla em inglês), sua característica definidora. É quando nosso cérebro fica especialmente ativo, até mais do que quando estamos acordados. Os sonhos acontecem nesse estágio.
Em um sono de noite inteira, nós experimentamos três ou quatro desses ciclos, cada um durando de 60 a 90 minutos.

O trabalho do sono
O trabalho restaurador do sono acontece durante o estágio 3, de sono profundo, e o 4, REM. O sono profundo é crucial para a renovação física, regulação hormonal e crescimento. Sem ele, ficamos mais sujeitos a doenças, depressão e ganho de peso. De acordo com a pesquisa Sleep in America 2008,
levantamento sobre o sono conduzido nos Estados Unidos pela National Sleep Foundation, as pessoas que dormem menos de seis horas por noite de segunda a sexta-feira são mais propensas à obesidade do que as que dormem oito horas ou mais (41% ante 28%).
No sono REM, o cérebro processa e sintetiza memórias e emoções, atividade essencial ao aprendizado e ao raciocínio. A falta de sono REM resulta em lentidão no processamento cognitivo e social, problemas de memória e dificuldade de concentração. A pesquisa Sleep in America 2008 revelou que quem dorme menos de seis horas por noite na semana útil tem o dobro de chance de mostrar dificuldade de concentração na comparação com os colegas mais descansados.

Déficit de sono, déficit de desempenho
Gerenciar tarefas complexas e relacionamentos complicados –corpo e alma do trabalho de qualquer gestor– fica muito mais difícil quando o sono REM está comprometido. E, quando as horas de sono são reduzidas, é o sono REM o mais comprometido. Há duas razões para isso:
1. Quando confrontado com privação de sono, nosso cérebro opta pelo sono leve em detrimento do sono REM.
2. Os ciclos de sono madrugada adentro tendem a ter períodos REM mais longos que os do início da noite. Portanto, quando você completa apenas um ou dois ciclos de sono no início da noite, em vez de três ou quatro, seu sono REM é afetado desproporcionalmente.
Ou seja, se, quando seu cérebro está faminto de sono REM, concentrar-se numa única atividade que seja já é altamente desafiador, imagine o que ocorre no trabalho multitarefas do dia a dia do gestor. Além disso, o déficit de sono REM atrapalha bastante a percepção de nuances em discussões e
negociações.
“Quando você ouve uma pessoa falar tentando apreender tanto a principal mensagem enviada quanto o subtexto que a acompanha, seu cérebro está executando múltiplas tarefas em vários níveis, atividade que requer muitos cavalos de força”, afirma Gandis Mazeika, que comanda o Sound Sleep Health de Seattle. “Se lhe falta sono, é muito duro fazer isso.”
Como se não bastasse, uma pesquisa recente mostrou que privação de sono limita a capacidade de tomar decisões.

Como otimizar seu sono
Diante das demandas a que os gestores precisam atender hoje –uma das quais é trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana–, uma noite inteira de sono é muitas vezes um sonho impossível. Mas há algumas medidas que podem melhorar a qualidade do sono, independentemente da quantidade:
• Evitar cafeína. Corte café, chá (preto ou verde) e soda idealmente dez horas antes de ir para cama. E chocolate também. Comprometa-se com o ato de dormir.
• Cair no sono rapidamente. Um medicamento pode ajudar nisso, mas tenha cuidado, porque alguns fazem você dormir sete a oito horas mesmo. Se não puder despender esse tempo, não tome. Certos antidepressivos também ajudam a cair no sono, mas, por outro lado, atrapalham a fase REM. Remédios naturais ou meditação meia hora antes de se deitar são abordagens bem mais interessantes.
• Escurecer o quarto completamente. Seu cérebro produz um hormônio chamado melatonina que, ao “sentir” que está escuro, prepara você para dormir. Então, desligue a TV e o computador, feche as cortinas, cubra o relógio. Use máscara para os olhos, se for dormir durante o dia. Se o cérebro
perceber alguma luz, o sono não será o mesmo.
• Dormir em um ambiente tranquilo. Garanta que o quarto está silencioso e que não conseguirá ouvir seu celular. Não economize na qualidade de seu colchão e não deixe de trocá-lo cada oito ou dez anos.

Como explorar o poder dos cochilos
Cochilos durante o dia podem ser de grande ajuda. Sempre que possível, tranque a porta do escritório e tente tirar uma soneca de 10 a 20 minutos. Será revigorante, bem mais que uma xícara de café, porque você atingirá o estágio 2 de sono. No entanto, não tente alongar os cochilos; se demorarem mais que 20 minutos, você se sentirá pior que antes e levará pelo menos outros 30 minutos para reengrenar.

A reportagem é de Anne Field, colaboradora da Harvard Management Update.HSM Management Update nº 63 - Janeiro 2009

27.6.10

 
 Sobre a decisão de retirarem a Cruz dos lugares públicos:
 

RESPOSTA : Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP


Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.

16.5.10

No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:
-Quantos rins nós temos?
-Quatro! - Responde o aluno.
-Quatro? - Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em tripudiar sobre os erros dos alunos.

-Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala.. - ordena o professor a seu auxiliar.
-E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar.

O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, entretanto, o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971),   mais conhecido como o 'Barão de Itararé'.

Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso  professor:

-O senhor me perguntou quantos rins 'nós temos'.. 'Nós' temos quatro: dois meus e dois seus. 'Nós' é uma expressão usada para o plural. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.

 
 A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento! Às vezes as pessoas, por terem um pouco a mais de conhecimento ou 'acreditarem' que o tem, se acham no direito de subestimar os outros...
E haja capim!!!

8.5.10

 Manifesto feito pela Comissão POR UMA JUSTIÇA MELHOR OAB - Subseção de Eunápolis


A pergunta que não nos sai da mente nesses últimos sessenta dias é "Aonde vamos parar?". Vivemos momentos de total insegurança e instabilidade. O judiciário baiano apresenta suas mazelas de forma gritante e não vislumbramos nenhuma luz no fim do túnel, que possa nos mostrar uma saída. A população eunapolitana sente-se esquecida pelo Poder Público Estadual, que não toma qualquer providência, seja com relação à nossa segurança pública, totalmente falida, seja com relação ao judiciário, que está pedindo concordata. O direito nasce com a finalidade da justa solução dos conflitos, revelando-se como verdadeira garantia do Estado Democrático de Direito a proibição da justiça privada, estabelecendo a Constituição Federal a criação de órgãos judicantes como meio a ser utilizado pelas partes em busca da efetiva justiça. Logo, sem a prestação jurisdicional o cidadão se vê prejudicado em seus interesses.

Na próxima sexta-feira, dia 07/05/2010 está prevista mais uma paralisação dos servidores do judiciário baiano, com indicativo de greve, posto que a classe questiona as medidas tomadas pela Presidência do Tribunal de Justiça da Bahia com a publicação do Decreto nº 152/2010, que dentre várias decisões determinou a suspensão do pagamento da Gratificação Especial de Eficiência prevista no art. 14 da Lei 11.170, de 26 de agosto de 2008, valendo ressaltar que tal gratificação, aprovada por lei, fora retirada por meio de Decreto. Tratar-se-ia de uma aberração jurídica?

Não faltassem outros problemas como o aumento desenfreado da violência, com a flagrante possibilidade de intervenção da cadeia pública, uma vez que o Governo do Estado não cumpre seu papel, a população eunapolitana se vê diante de mais uma paralisação dos serviços do judiciário. Será que a inauguração do presídio mais uma vez aguarda o "momento político" correto para ser concretizado? Não esqueçamos que as eleições estão próximas.

Assim, voltando ao judiciário também não podemos esquecer que a Assembléia Legislativa da Bahia aprovou em 2007 o Projeto de Lei nº 15.979, de 2007, devidamente sancionada pelo governador Jacques Wagner, que define a nova estrutura da Justiça do Estado, aumentando o número de desembargadores de 47 para 53 e de juízes de 663 para 1.137 em todo o Estado, passando o número de varas judiciais de 571 para 1.039, mas já se passaram quase três anos e tal mudança está apenas no papel.

Hoje a Comarca de Eunápolis, com uma população de mais de cem mil habitantes, conta com duas Varas Cíveis, sendo que a primeira acumula a Vara de Registros Públicos, com cerca de 4.200 processos cada e uma; uma Vara Crime, que acumula as competências de Vara do Júri, das Execuções Penais, Fazenda Pública e Infância e Juventude com cerca de 8.000 processos. Estando a Primeira Vara com três funcionários concursados, um deles em licença médica; a Segunda Vara com cinco funcionários concursados e a Vara Crime com quatro funcionários concurados, sendo que uma encontra-se de licença médica e outra em gozo de férias.

Nos Juizados Especiais Cível e Criminal, os quais já contam com lei aprovando a criação da Vara, devidamente instalada em solenidade realizada em 20/01/2010, temos hoje cerca de 3.700 processos no Juizado Cível e 757 processos no Juizado Criminal. Sendo que atualmente os Juizados contam com a prestação jurisdicional dos três Juízes da Comarca de Eunápolis e da Juíza da Comarca de Itapebi, quando em razão da instalação da Vara deveria ter sido nomeado um juiz titular além de termos um número reduzido de funcionários, que não conseguem dar conta da demanda processual existente, ressaltando-se que hoje um processo distribuído perante o Juizado Especial Cível, onde a demanda é maior, terá a primeira sessão de conciliação marcada para cerca de 20 dias depois e em não havendo acordo, aguardar-se-á a designação de uma audiência de instrução (com o juiz) possivelmente para o ano de 2012, estando totalmente fora dos propósitos da lei, que prima pela celeridade da solução dos conflitos.

Outro órgão que se encontra esquecido e foi criado para atuar em parceria com o juizado e facilitar o acesso do cidadão à justiça, é o SAJ (Serviço de Atendimento Judiciário), que funciona dentro do SAC (Serviço de Atendimento ao Cidadão), e encontra-se hoje sem conciliador, com as audiências suspensas; impossibilitando o atendimento de novas queixas para não criar expectativa na população, vez que não há previsão de quando as audiências retornarão a ocorrer, demonstrando mais uma vez a criação de um órgão que deveria funcionar, mas não funciona em razão da omissão do Poder Público.

De fato se o Judiciário da Bahia junto com o Poder Executivo não vierem a tomar providências no sentido de buscar uma solução para as mazelas da Justiça baiana, o único prejudicado será o cidadão, que cumpridor de suas obrigações para com o Estado, não tem a contrapartida devida, entre tantas outras, mas que no presente caso seria a prestação de um serviço público da esfera judiciária digno e eficiente.

Não entendemos o porquê da atitude da Presidência do Tribunal de Justiça da Bahia com a suspensão da gratificação de eficiência dos serventuários da justiça, já com salários tão sucateados, sob a alegação de ter que se adequar à lei de responsabilidade fiscal, pois está no "limite da prudência", quando outras medidas para atingir tal desiderato poderiam ter sido tomadas. A exemplo da exoneração dos servidores ocupantes de cargos comissionados, extinção dos contratos REDA e do Adicional de Função no importe de 150% concedido de forma arbitraria a alguns funcionários, sem se falar do Projeto de Lei que tramita na Assembléia Legislativa do Estado, aprovado pelo Tribunal Pleno, para que a carga horária de trabalho de seis horas diárias passe para oito horas diárias, sem entretanto, ter a contraprestação pecuniária correspondente, outro absurdo!

Em vista de tais fatos e das reiteradas cobranças da OAB aos órgãos competentes no sentido de solucionar os problemas existentes, não nos resta outra saída a não ser clamar ao povo eunapolitano para que se juntem à classe dos advogados e demais operadores do direito, mostrando a sua indignação com o descaso dos poderes públicos para a situação que a justiça baiana vem passando, a qual enseja que o Conselho Nacional de Justiça comece a pensar na possibilidade de intervenção junto ao Judiciário Baiano.


OAB SUBSEÇÃO DE EUNÁPOLIS
POR UMA JUSTIÇA MELHOR

7.4.10

Tá reclamando do quê?



" Tá " reclamando do Wellington Salgado? Do Sarney? Do Collor? Do Renan? Do Palocci? Do Jucá? Do sapo barbudo? Do Kassab? Do Arruda?



O Brasileiro é assim:

1. Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.

3. Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.

4. Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.

5. Fala no celular enquanto dirige.

6.Trafegam pela direita nos acostamentos num congestionamento.

7. Para em filas duplas, triplas em frente às escolas.

8. Viola a lei do silêncio.

9. Dirige após consumir bebida alcoólica.

10. Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

11. Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.

12. Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

13. Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.

14.Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.

15. Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.

16. Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

17. Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.

18. Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

19. Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

20. Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

21. Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.

22. Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

23. Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.

24. Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

25. Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

26. Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.

27. Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

28. Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.

29. Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

30. Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.


E quer que os políticos sejam honestos...

Escandaliza-se com a farra das passagens aéreas...

Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não? Brasileiro reclama de quê, afinal?

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!

Vamos dar o bom exemplo!



"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."


"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL..., SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIENCIA HUMANA."
(Theilard Chardin)


FONTE: CIRCULA NA REDE

14.1.10

Lei da empatia educacional obrigatória

Senador Cristovam Buarque
Senador Cristovam Buarque (Imagem: O Globo)


Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em Escolas públicas.

Um projeto de lei inusitado de autoria do Senador Cristovam Buarque (aquele que proferiu um brilhante discurso contra a internacionalização da Amazônia) tem provocado certo barulho no Brasil. No PLS – Projeto de Lei do Senado n.º 480/2007 o parlamentar propõe que filhos de políticos eleitos, de todas as esferas do poder, sejam matriculados obrigatoriamente somente em escola públicas. O objetivo, como justifica o Senador, permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:

  • a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;
  • b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a conseqüente melhoria da qualidade dessas escolas.
  • c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;
  • d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.

Os projeto de lei apresenta somente dois artigos, a saber:

Art. 1º Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.

Art. 2º Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014. Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.

Dadas as características do projeto de lei, podemos denominá-lo de Lei da empatia educacional obrigatória: “Faça aos outros aquilo que você quer para você”.

O debate está lançado. E você, o que acha do projeto?

Eis, abaixo, a sua íntegra.

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2007
Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.


Art. 2º Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014. Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.

JUSTIFICAÇÃO =

No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público. Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas.

Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios. Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.

Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais – vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$2.373,84, inclusive no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoral.

O presente Projeto de Lei permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:
a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;
b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a conseqüente melhoria da qualidade dessas escolas.
c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;
d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.

Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente. Entretanto, a tradição de 118 anos de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão.

Ficou escolhido por isto o ano de 2014, quando a República estará completando 125 anos de sua proclamação. É um prazo muito longo desde 1889, mas suficiente para que as escolas públicas brasileiras tenham a qualidade que a elite dirigente exige para a escola de seus filhos.
Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo – como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.

Diante do exposto, solicitamos o apoio dos ilustres colegas para a
aprovação deste projeto.

Sala das Sessões,

Senador CRISTOVAM BUARQUE

8.1.10

ENSAIO POÉTICO


Ilhéus locomotiva

Sem pista

Sem maquinista

Nau à deriva…

…os que ficam em cima

Estão cheios de treitas

Terra onde sobeja lima

Terra onde sobeja freitas

…qual vagão desgovernado

Vendo o povo afanado

“Ah! Poderes sem juízo!”

“Muito cio e pouco ciso!”

…Hoje nem sabemos o que temos

O comissionado é mixórdia

“E nós, para onde iremos?”

“Missa da Misericórdia!”

…E a homilia papava

“Vejam de repente isto!”

Grita um crente que orava:

“Daquela Cruz fugiu o Cristo!”

“Volta, ó Redentor!”

“Socorre esta pobre Comuna!”

Eis que debaixo desse andor

O povo só recebe borduna.


ISRAEL NUNES SILVA (http://www.israelnunes.com.br)


7.1.10

A TRISTE REALIDADE DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA

Gerivaldo Alves Neiva *

Há poucos dias (11/12), o Tribunal de Justiça da Bahia elegeu uma nova mesa diretora para o biênio 2010/2011. A Desembargadora Telma Britto, atual Corregedora Geral, foi eleita em 2º turno com 18 votos de seus pares. Sua concorrente foi a Desembargadora Lícia Laranjeira, que não fazia parte da atual mesa e obteve 11 votos, totalizando 29 votantes.

A primeira vice-presidente será a Desembargadora Maria José Sales Pereira, atual Corregedora das Comarcas do Interior; a segunda vice-presidente será a Desembargadora Lealdina Torreão, atual primeira vice-presidente; o Corregedor Geral da Justiça será o Desembargador Jerônimo dos Santos, atual segundo vice-presidente e a Desembargadora Lícia Laranjeira, derrotada na disputa pela presidência, será a Corregedora das Comarcas do Interior.

No final da história, depois de encerrada a música, a atual presidente, Desembargadora Sílvia Zarif, não participou da disputa e ficou sem assento e a Desembargadora Lícia Laranjeira tomou o assento da Corregedoria das Comarcas do Interior. As demais cadeiras foram tomadas pelos mesmos que já estavam sentados na gestão atual, trocando apenas de lugar. Além de parecer aquela brincadeira para ver quem senta primeiro quando se interrompe a música, uma eleição nestes moldes faz também lembrar um conclave para a sucessão papal na Capela Sistina, testemunhado apenas pelos belíssimos afrescos de Michelangelo. A fumaça branca que precede o tradicional “Annuntio vobis gaudium magnum: habemus papam”, agora é substituída por um breve comunicado aos pobres mortais no “site” oficial: “temos presidente.”

Aliás, para uma eleição definida por um colégio de 33 votantes – a composição atual do TJBa – não se pode esperar muitas novidades. Além disso, conforme a norma regimental, apenas os mais antigos podem ser eleitos. Não há lugar para surpresas nesta eleição. Se existem cinco cadeiras vagas, cinco serão os concorrentes. Por coincidência, os mais antigos. Assim, tal qual na Capela Sistina, existem os que votam e os poucos que podem ser votados. São os Cardeais da Igreja de Roma. No mais, no caso específico do TJBa, como sempre aconteceu, a magistratura de primeiro grau acompanhou através da imprensa as articulações em torno de candidaturas, ficou sabendo da existência do “grupo” deste ou daquela Desembargadora, não participou das discussões sobre as propostas dos candidatos e, entra ano e sai ano, recolhe-se à sua insignificância e ao cumprimento de metas a qualquer custo.

Sendo assim, o (a) eleito é consequência de articulações de uma cúpula e com esses poucos, portanto, deve decidir e determinar o que deve ser feito por muitos, os da base, os que “carregam o piano”, os que estão nas Comarcas mais longínquas na labuta diária da judicatura e os primeiros na linha de frente da prestação jurisdicional. Não existe cumplicidade alguma, portanto, entre a cúpula eleita por poucos e a magistratura de primeiro grau, o que torna, muitas vezes, verdadeira a recíproca, ou seja, também não existe cumplicidade entre a base e a cúpula, pois divergentes os interesses e as expectativas. É como se um grande fosso separasse a cúpula do Tribunal da magistratura de primeiro grau.

É um processo em que a democracia, em pleno século XXI, passa ao largo. Ora, nenhum Regimento, nenhuma decisão de Tribunal Superior e nenhuma Lei podem justificar um processo eleitoral dessa natureza. Não existe mais lugar na sociedade para imposições e decisões tomadas pelo alto. Aliás, nem mesmo nas relações familiares se aceita mais imposições. Com efeito, no século XXI, a mulher trabalha fora, vota e participa plenamente da vida social. Acabou-se o tempo da subserviência ao marido. Da mesma forma, os filhos questionam, participam e se rebelam contra todas as formas de mando de seus genitores. Ao Tribunal de Justiça da Bahia, portanto, faltou coragem e disposição para mudar, em favor da democracia, a forma de escolher sua mesa diretora.

Sendo assim, para a magistratura de primeiro grau, como consequência, reina um verdadeiro “salve-se quem puder” ou o “farinha pouco, meu pirão primeiro”, pois se sentem descompromissados com a proposta dos eleitos e sem referencial para sua própria atuação e ações cotidianas. É incompreensível que alguém, de outro lado, eleito por este formato fora de moda, possa exigir “gestão democrática”, “planejamento estratégico” e outras novidades “empresariais” se não apresenta uma prática democrática como exemplo a ser seguido. Tudo o que dirá neste sentido, consequentemente, soará como falso e não repercutirá a ponto de contribuir para a construção de um poder verdadeiramente democrático e voltado à realização da Justiça.

Evidentemente que esta situação não é de responsabilidade deste ou daquele desembargador em particular, dos eleitos ou dos derrotados, mas consequência de uma estrutura secular, extremamente formalista, atrasada, paquidérmica e fora de sintonia com a contemporaneidade. O mundo tornou-se rápido, dinâmico, pequeno e, ao mesmo tempo, extremamente complexo. O Poder Judiciário, de sua vez, como se adormecido em um longo e secular sono, continua com seus rituais quase medievais e em desarmonia com o mundo contemporâneo.

Não bastasse isso, o Poder Judiciário da Bahia ainda tem suas particularidades que colaboram na manutenção e fortalecimento dessa contradição.

Como exemplo, tome-se a composição do Tribunal de Justiça.

Pois bem, a Bahia é o 4º Estado em população, ficando atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e à frente do Rio Grande do Sul e Paraná. Porém, apesar da previsão legal de 53 Desembargadores, o Tribunal da Bahia conta atualmente com 33 Desembargadores, ou seja, 62% do previsto em Lei. Enquanto isso, o Tribunal de Justiça de São Paulo conta com 355 Desembargadores, Minas Gerais conta com 120 Desembargadores, Rio de Janeiro conta com 180 Desembargadores, Rio Grande do Sul conta com 140 Desembargadores e Paraná com 120 Desembargadores.

Em resumo:


ESTADO

POPULAÇÃO (1)

DESEMBARGADORES

São Paulo

39.827.570

355

Minas Gerais

19.273.506

120

Rio de Janeiro

15.420.375

180

Bahia

14.080.654

33

Rio G. do Sul

10.582.840

140

Paraná

10.284.503

120

1) Informação oficial do IBGE para o ano de 2007

Esses números dispensam comentários e nos causa um forte desânimo. De um lado, essa absurda desproporcionalidade implica, sem dúvidas, na morosidade dos julgamentos dos recursos e na dificuldade de inovações e criatividade nos julgamentos, seguindo-se, quase sempre, os "precedentes" da própria corte. De outro lado, o número reduzido de Desembargadores termina transformando o Tribunal de Justiça da Bahia em local de acesso quase proibido por grande parte da magistratura de primeiro grau. Por fim, é o poder extremamente concentrado nas mãos de uns poucos e, sendo assim, mais fácil de ser mantido e controlado.

Para complicar ainda mais a situação, a Lei de Organização Judiciária da Bahia prevê um quadro de 1.063 juízes no primeiro grau, mas somos hoje apenas 563 juízes, ou seja, apenas 52% da previsão legal. Isto significa dizer que o judiciário baiano funciona, em primeiro grau, com praticamente metade dos juízes necessários e, no segundo grau, com apenas 62% do número de desembargadores previsto em lei, o que ainda não seria suficiente em relação à população do Estado e em comparação com outros Estados. Proporcionalmente, a Bahia deveria contar, no mínimo, com 150 Desembargadores, mas conta atualmente com apenas 33 Desembargadores.

Como se ainda não fosse pouco, a estrutura do gabinete do Juiz da Bahia é ele e ele mesmo. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, por exemplo, a estrutura do gabinete do juiz é composto de “Secretário do Juiz, um Auxiliar de Gabinete e dois Assistentes de Gabinete, podendo ter auxílio de estagiários de Direito.”

É esta, portanto, a triste realidade do Poder Judiciário da Bahia.

Um Poder sem democracia interna, extremamente concentrado, sem transparência em sua gestão, pequeno demais para a população do Estado, sem a estrutura necessária à boa prestação do serviço e sem solução a curto prazo, pois trabalha no “limite prudencial” do repasse da verba do Executivo estadual.

Essa aparente fortaleza, porém, tem se quedado humildemente às ingerências do Conselho Nacional de Justiça - CNJ. Não se rebelou uma única vez, aceitou o CNJ tornar sem efeito decisões do próprio Tribunal Pleno, cortou direitos e vantagens de juízes e servidores a mando do CNJ e a presidente que ora encerra sua gestão, em determinado momento, chegou a afirmar, publicamente, que o CNJ não estava mais atendendo, sequer, suas ligações telefônicas.

A conclusão a que se chega, finalmente, é que o Poder Judiciário da Bahia só ainda funciona por conta da dedicação de seus servidores, apesar da falta de estrutura e reciclagem, e de alguns Desembargadores e Juízes (com D e J maiúsculos) abnegados e vocacionados. São Magistrados que não veem a magistratura como um bom emprego ou como a possibilidade de ficar rico, mas como a atividade necessária e fundamental na construção de uma sociedade livre, justa e solidária, fundada na cidadania e dignidade da pessoa humana, conforme determina a Constituição Federal de 1988.

Conceição do Coité, 21 de dezembro de 2009

* Juiz de Direito da Comarca de Conceição do Coité.

Fonte: http://gerivaldoneiva.blogspot.com/2009/12/tjba-uma-triste-realidade.html

5.1.10

O JUDICIÁRIO E A CORRUPÇÃO, POR JOAQUIM BARBOSA

Carolina Brígido, de O Globo:


O ministro Joaquim Barbosa, do STF, se revela descrente da política e deixa sua dificuldade para escolher bons candidatos quando votar nas eleições de 2010. Há dois anos ganhou notoriedade por relatar o processo do mensalão do PT e do governo Lula.

Em 2009, convenceu os colegas a abrir processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para apurar se ele teve participação no mensalão do PSDB mineiro. O ministro não quis comentar o mensalão do Dem que estourou recentemente no governo de José Roberto Arruda, do Distrito Federal.

O senhor é descrente da política?

Tal como é praticada no Brasil, sim. Porque a impunidade é hoje problema crucial do país. A impunidade no Brasil é planejada, é deliberada. As instituições concebidas para combatê-la são organizadas de forma que elas sejam impotentes, incapazes na prática de ter ação eficaz.

A quais instituições o senhor se refere?

Falo especialmente dos órgãos cuja ação seria mais competente em termos de combate à corrupção, especialmente do judiciário. A polícia e o Ministério Público, não obstante as suas manifestas deficiências e os seus erros e defeitos pontuais, cumprem razoavelmente o seu papel. Porém, o poder judiciário tem parcela grande de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país. A generalizada sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do poder judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações lenientes e muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção e sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomada de decisões. Para ser minimamente eficaz o poder judiciário brasileiro precisaria ser reinventado.

15.11.09

Líderes devem agir como verdadeiros maestros


Uma empresa que não possui uma boa gestão tem chances de ficar estagnada, sem um desenvolvimento que possa lhe trazer evolução e novos ganhos. Isso é decorrente da competitividade em que o mercado atual se encontra, obrigando cada corporação a oferecer um diferencial. E esta busca vai ser definida, principalmente, através dos líderes e da boa gestão com o grupo em procurar projetos inovadores e resultados surpreendentes.

O palestrante e coach estratégico Alexander Baer compara que os líderes nas empresas devem se postar como regentes de uma orquestra. “Para que uma orquestra faça uma boa apresentação, atendendo as expectativas da platéia, é preciso que o maestro e os músicos estejam preparados, motivados e em sintonia. Nas empresas, a relação entre os líderes e os funcionários/colaboradores também deve ser assim. Dessa forma, é possível realizar um trabalho realmente diferenciado, que evidencie a organização no mercado”.

Alexandre lembra que essa postura já é pensada a mais de dez anos. "Em 1998, Peter Drucker, um dos maiores gurus da Administração, já dizia que no século 21 as empresas seriam como orquestras". Alexander Baer afirma ainda que o ‘líder maestro’ é uma característica muito importante do meio empresarial. “Esse perfil refere-se à liderança responsável por cuidar de competências, habilidades e atitudes no comando e gestão de pessoas, que pode ajudar os empreendedores a mensurar sua efetividade no exercício desta liderança” afirma.

César Souza, um dos maiores experts brasileiros em desenvolvimento de líderes e presidente da Empreenda (empresa de consultoria em Estratégia, Marketing e Recursos Humanos), acredita que o papel do líder está em motivar a equipe em todos os momentos. “A principal arma para motivar uma equipe é oferecer uma causa, uma bandeira para as pessoas sentirem que fazem parte de algo relevante, enobrecedor, que dê significado as suas vidas. Algo que transcenda o dia a dia, as metas, o resultado, que transcende o ‘job description’. As pessoas querem algo maior que bater metas, querem algo para sentir orgulho”, explica.

César Souza fala, ainda, que é essencial o líder construir com sua equipe uma ‘causa’, em vez de apenas ficar cobrando metas. O consultor ressalta as principais virtudes dos bons lideres. “As principais características dos líderes são perseverança, determinação, iniciativa, proatividade, criatividade, capacidade de articular parcerias, inspirar valores, foco, generosidade e saber dar reconhecimento e celebrar vitorias da equipe.

Assim, em todos os momentos, as empresas que tenham ‘líderes maestros’, têm verdadeiras oportunidades de criarem e mostrarem seus diferenciais no mercado para encantamento do cliente/platéia.

13.10.09

TEOTÔNIO VILELA: ONTEM E HOJE
Sara Teles
Jornal A NOTICIA

Em 1978 havia apenas alguns pequenos sítios de moradores de vida simples que viviam da agricultura doméstica, da caça de pequenos animais, da pesca e da exploração de piaçava, além de frutas encontradas na região em determinadas épocas do ano. A Gomeira era assim conhecida pela população ilheense, devido à intensa produção de polvilho (goma) produzido em alguns sítios e vendido nas feiras livres ou oferecido de casa em casa nas ruas de Ilhéus.

Na década de 80, um número considerável de famílias numerosas de baixa renda vieram a ocupar a área, na qual fizeram uma ocupação desordenada, desmatando e aterrando manguezais. A maioria oriunda das fazendas de cacau que haviam entrado em decadência, por motivo da famigerada vassoura-de-bruxa, destruindo assim o “império do cacau”. Estes trabalhadores rurais não tinham dinheiro e nem para onde ir quando foram despedidos, sendo que boa parte destas famílias eram de outras cidades distantes e até mesmo de outros estados, como Sergipe.

Na época, a Prefeitura Municipal de Ilhéus e autoridades, entendendo que a população precisava de moradia em local decente, resolveram então demarcar ruas e estruturar lotes, e assim cadastrar a todos que ali já se encontravam em barracos cobertos de palha, de plásticos, usando como paredes externas pedaços de tecidos (lençóis), de plásticos e pedaços de caixotes de verduras. Assim, estavam ali dia e noite, na esperança de “um socorro” da parte das autoridades competentes. A P.M.I, resolveu então fazer a distribuição dos lotes de terras aos cadastrados. Um por família constituída, garantindo o solo para que fossem erguidas moradias, segundo as possibilidades de cada família. A partir do loteamento, logo foi fundada a Associação de Moradores da Gomeira. A partir disso, começou a chegar a energia elétrica, água encanada, transporte urbano, escolas e posto de saúde.

No ano de 1986, o então prefeito Jabes Ribeiro trocou o nome do bairro, que passou a se chamar Teotônio Vilela. Antes, o prefeito teria dado outro nome, Horto das Acácias, porém a população não se adaptou, e continuou chamando o local de Vilela.

De acordo com Florinda Teles, estudante do 5º período de História (Uesc), atualmente o bairro tem características de uma pequena cidade, possuindo escolas de ensino fundamental e médio, um pólo do pré-vestibular Universidade Para Todos, mini-hospital, clínica especializada, casa lotérica, módulo da Polícia Militar, 04 postos de saúde, laboratório de análise clínicas, supermercados, açougues, padarias, distribuidoras de gás de cozinha, farmácias, 12 linhas de transporte coletivo, entre outros serviços. Além disso, quase todas as ruas estão asfaltadas e possuem rede de esgoto e iluminação pública.

Mas ainda há muito a ser feito, tendo em vista que o bairro possui aproximadamente 35 mil habitantes e a infra-estrutura instalada não atender a toda população. O Alto do Vilela, por exemplo, continua sem receber atenção do poder público, visto que o local não possui obras de saneamento básico nem pavimentação, a iluminação pública é precária e não existem serviços de saúde ou qualquer outro serviço que dê qualidade de vida aos moradores. Todo esse descaso com os moradores que habitam na entrada do bairro terminam por perpetuar a imagem de favelização do lugar, imagem esta que não corresponde ao desenvolvimento que ocorrera no interior do Teotônio Vilela ao longo desses anos.

14.9.09

ESTAR EM SI
Se conheça para ser feliz!



Será que você sabe realmente quem você é? Muitas vezes estamos dando o melhor de nós, mas não estamos satisfeitos com o que conseguimos. Isso acontece porque quando não nos conhecemos interiormente, o melhor de nós é muito pobre, muito vazio. Muita gente olha para os filhos, esposa, bens materiais e acha que a resposta está neles. Quando isso acontece, sua imagem perde a referência, você vira personagem da vida alheia. Começamos a inventar desculpas para nossas impossibilidades.

Você começa a estar em si quando percebe que tudo na sua vida depende de você, sua felicidade, sua emoção e sua razão. Estar em si é encontrar paz nos momentos difíceis da vida, é silenciar num momento de incompreensão do outro. É aceitar e compreender a visão de vida de cada pessoa, entender que todos somos iguais sim, mas com pontos de vista e escolhas diferentes. Estar em si é não ter medo de demonstrar emoção, de chorar quando sentir vontade, com medo que as pessoas achem que você é fraco. É sentir na alma a decepção, mas ter a consciência de que o mundo não acabou. É entender que cada experiência é uma nova lição.

É aprender a curtir ao máximo as pessoas que amamos, pois a perda é inevitável. É ter a humildade para reconhecer os erros, e a sabedoria para crescer com eles. É não cobrar atitude de pessoas que você sabe que não estão preparadas para tal. É dar uma chance a si mesmo em cada novo desafio, e entender que desafios são degraus de subida e não barreiras que devem ser derrubadas. É entender que o fracasso não existe, mas sim, que você aprendeu que ?aquela? maneira de agir não funciona.

Quem está em si mesmo ama livremente, sem cobranças, protegendo suavemente, sem esperar nada do outro, a não ser sua felicidade. Quem está em si mesmo, sabe que antes de amar o outro, precisa amar-se. É saber que não são os outros que lhe magoam, mas sim, que você se "deixa magoar". É prosseguir sempre, é crescer sempre, é aprender sempre, tendo a humildade suficiente para enxergar e respeitar as diferenças de comportamentos daqueles que não estão no mesmo caminho. É saber que apesar de tudo, apesar da hipocrisia de muitos, apesar do medo de amar e ser amado, apesar de muitos prenderem seus sentimentos mais puros em nome da moral e bons costumes, apesar de todas as ilusões que as pessoas enfrentam e vivem, a vida vale a pena sim.

Estar em si mesmo é ter a real convicção da própria vida, da vida das pessoas, do amor que esta envolta dos corações deprimidos procurando uma brecha para brilhar sua Luz e ascender para um novo mundo. O seu mundo!

Fonte: Minha vida (F. Carrara)

11.9.09

A INFORMALIDADE COMO OPORTUNIDADE DE INSERÇÃO SÓCIOECONÔMICA DAS COMUNIDADES DE BAIXA RENDA

Sara Teles

Jornal A NOTÍCIA


A partir de 1980, o mercado de trabalho brasileiro passou a se caracterizar por uma elevada proporção de trabalhadores sem contrato formal de trabalho: em 1981, os trabalhadores sem carteira de trabalho assinada já representavam cerca de 28% da população ocupada, segundo dados do IBGE. Se considerarmos ainda os trabalhadores por conta própria como parte do setor informal, este quadro é ainda mais preocupante, pois, em 2002, estas duas ocupações (sem carteira e conta própria) representavam aproximadamente metade da força de trabalho do país.

Este número sofreu uma pequena elevação nos três primeiros anos da década de 1980, mesmo assim o grau de informalidade permaneceu relativamente estável ao longo deste período. Contudo, a partir de 1990 tem início um processo de elevação sem precedentes no grau de informalidade no mercado de trabalho brasileiro, totalizando um aumento de dez pontos percentuais ao final dos anos 90.

No Brasil, esse problema foi em grande parte minimizado pelo fato de a legislação exigir que todos os trabalhadores assalariados possuam uma carteira de trabalho assinada, o que fez com que a definição de informalidade ficasse amplamente associada à posse ou não da mesma. Em diversos trabalhos o setor informal é definido como a soma dos trabalhadores sem carteira e conta própria, ou mesmo como o conjunto de trabalhadores que não contribui para a previdência social.

Todavia, parte dessa “redução” da informalidade se deu em função de os trabalhadores que já atuavam nas empresas terem sua situação trabalhista regularizada. Não ocorreu, ao contrário do que possa parecer, uma maior inserção do trabalhador no mercado de trabalho formal.

Assim como na maioria das cidades brasileiras, em Ilhéus a informalidade está nas mais diversas atividades econômicas: ambulantes, camelôs, empresas familiares informais, pedreiros, pintores, costureiras, baianas de acarajé, diaristas, entre outras.

A única vantagem da economia informal para o trabalhador é que ele não paga impostos. Por outro lado, não ser formal acaba atrapalhando outras coisas na vida. Fica mais difícil, por exemplo, alugar um imóvel ou conseguir um empréstimo, além de não desfrutar de garantias e benéficios, como férias, décimo terceiro salário, hora extra remunerada, FGTS, licença maternidade-paternidade, seguro desemprego e outros, e ainda estar vulnerável à fiscalização e autuação dos vários órgãos regulatórios.

O combate à informalidade é uma bandeira do governo, afinal, com ela, a arrecadação diminui. A Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas, promulgada em dezembro de 2006, é mais uma tentativa do governo de reverter esse problema. O objetivo do governo com a nova lei é conseguir tirar cerca de 1 milhão de empresas da informalidade, ou seja, 10% do total dos informais.

Há quem não se interesse em sair da informalidade. É o caso de pessoas que, por exemplo, vendem produtos piratas. Mas muitos parecem não gostar de estar nesta situação. Entre os homens, a maioria está no mercado informal porque não conseguiu emprego. Aliás, segundo o IBGE, os homens são os responsáveis por 66% dessas empresas. Já entre as mulheres, a maioria atua na informalidade para poder aumentar a renda familiar. A defasagem educacional dessas pessoas é uma das razões para estarem nesta situação. Ainda, de acordo com dados do IBGE, apenas 2% dos donos de empresas informais possuíam nível superior em 2003.

Nas comunidades de baixa renda é fácil encontrar trabalhadores que, em função da defasagem educacional e do desemprego, conseguem o sustento da família através de ocupações informais. Embora haja meios de o trabalhador formalizar sua atividade através de contribuição individual, quase sempre a renda oriunda da informalidade é tão pequena que, destituir no presente algum valor para gozo de garantias e benefícios no futuro comprometeria a satisfação de necessidades primárias, como alimentar-se, vestir-se e garantir moradia e segurança para a família.

18.8.09

"MUROS DE BERLIM" ELETRÔNICOS EM TEMPO DE CRISE

Por Karsten Jonsen e Willem Smit

As empresas estão proibindo, cada vez mais, o acesso de seus funcionários às redes sociais como Orkut, YouTube, Facebook, Twitter, LinkedIn (assim como a barra de ferramentas do Google), alegando um comprometimento de segurança e produtividade. Isto é sensato?

As crises geralmente provocam um enrijecimento de regras e regulamentos. O controle toma a frente da confiança e a vontade de exercer algum tipo de vigilância aumenta. É fato que alguns casos de bloqueio de acesso são necessários, ou pelo menos ter diretrizes parece apropriado. Um exemplo é quando importantes sistemas de negócio estão em risco ou quando a segurança das pessoas está ameaçada.

Porém, precisamos realmente ser tão rígidos nas regras se somente algumas partes do sistema estão causando problemas? Proibir acesso eletrônico ao mundo realmente irá melhorar a situação? Ou estamos condicionados a ter uma resposta Pavloviana a situações incertas? Vamos analisar alguns aspectos desfavoráveis dessas restrições de acesso.

Primeiro, as empresas que bloqueiam o Orkut e similares supõem que há um “muro” entre a vida do trabalho e a vida pessoal, e isso definitivamente é verdade para algumas pessoas.

Quando retornam para casa, é a hora do lazer – desligam o telefone e computador do escritório e ligam o telefone e computador pessoal. Porém, nesse mundo de intensa proliferação do conhecimento, um bom número de pessoas integra suas duas vidas. Uma pessoa “integradora” mescla a divisão entre sua vida do trabalho e sua vida privada. Seu trabalho não pode ser mensurado cronologicamente – o que importa é o resultado final, e não onde esse resultado foi gerado pela presença física de um funcionário num determinado local.

Estas pessoas prosperam em ambientes integrados, também conhecido como ROWE (results-only-work-environment / ambiente de trabalho focado apenas em resultados – em tradução livre). Há também certos grupos de funcionários, como mães solteiras, que simplesmente precisam de uma flexibilidade no horário para desempenharem suas funções; ou aqueles grupos para quem é inviável se locomover em horários de pico. Quando os integradores não possuem a flexibilidade para mesclar suas vidas de trabalho e privada, eles ficam insatisfeitos e, consequentemente, podem abandonar a empresa.

Segundo, o ócio no trabalho não é algo novo, mas com a internet, ele foi redefinido. Velhos hábitos, como ler o jornal e andar nos corredores foram substituídos pela navegação e pela comunicação entre amigos na web. As pessoas não são capazes de se concentrar em tarefas específicas por um longo período. Como em nossa época de escola, é necessário fazer algumas pausas. As pesquisas demonstram que um tempo moderado passado na internet e/ou outros exercícios de “descompressão” podem, efetivamente, aumentar a produtividade.
Terceiro, as empresas que não aproveitam as redes sociais irão sair perdendo na busca de novos talentos. Ao restringirem estes tipos de sites, as empresas estarão destinadas a alienar a próxima geração de funcionários que vêem as redes sociais como parte de seu “jogo de ferramentas”. Ao bloquear o acesso a sites altamente utilizados, a organização está deixando claro que não confia em seu pessoal. Já estamos testemunhando um alto índice de aversão de novos funcionários às carreiras em grandes empresas, e é questionável se a proibição do acesso a estes sites irá aumentar sua vontade de ter uma vida corporativa ou manter aqueles que já estão encaminhados – eles eventualmente irão escalar o "Muro de Berlim" eletrônico.
Quarto, empresas que desabilitam o acesso às informações diversificadas e atuais do mundo externo estão em desvantagem competitiva. O isolamento leva à inferioridade, e as culturas que não se adaptam às mudanças estão fadadas à extinção. Nenhum homem é uma ilha, e o mesmo pode ser dito das empresas. Em um mercado moderno, sistemas proprietários tendem a falhar, pois ao se desconectar do fluxo da informação, você se distancia de conexões de mercado e seus efeitos de multiplicação. Há vantagens muito claras em utilizar uma rede crescente e envolvente para fins de negócios.

Ao invés de proibir o uso destas novas ferramentas, as empresas deveriam explorar a melhor maneira de aproveitá-las. Por exemplo, o IMD disponibiliza grupos no Facebook e no LinkedIn aos participantes dos programas de educação executiva para que possam exercer um networking e se comunicarem durante e depois de terminarem o programa.
Isto é visto como um complemento fácil, divertido e eficiente ao e-mail e à interação cara-a-cara. Além do mais, quando um novo integrante é contratado por uma organização, ele traz consigo uma rede externa de contatos, muito útil para compartilhar idéias e melhores práticas. Quando as decisões são tomadas para bloquear os Orkuts e YouTubes da vida (geralmente feita pela alta diretoria), pode ser um aviso de que a empresa está fora de sintonia com a realidade.
Como a área de marketing de uma empresa poderá aproveitar as novas formas de eMarketing se a política oficial da própria empresa é a de proibir tais ferramentas? Como os engenheiros e cientistas podem efetuar uma troca de idéias quando seu acesso ao mundo externo está restringido?
Orkut, YouTube, Google, Facebook, Twitter, LinkedIn existirão ainda por muito tempo – pro melhor ou pro pior. Tornaram-se uma extensão de nossas vidas. Mesmo que algumas pessoas tenham se tornado escravos da constante conexão, não significa que as empresas precisam restringir ou proibir seu uso – embora se espere dos funcionários um manuseio altamente ético de suas “liberdades”, como em todos os aspectos de sua vida no trabalho.
Em momentos de crise, é mais importante do que nunca que as empresas se mantenham conectadas e tenham acesso as informações em tempo real para assim manter a flexibilidade de se adaptar ao ambiente, que está em constante evolução, e para atrair e reter os melhores e mais criativos funcionários. Essencialmente, "Muros de Berlim" eletrônicos podem afastar certos perigos, mas também afastam o conhecimento.

Karsten Jonsen e Willem Smit são pesquisadores do IMD. URL ::
Fonte: http://www.administradores.com.br/noticias/_muros_de_berlim_eletronicos_em_tempos_de_crise/25199/